Friday, December 4, 2009
cardumes
...e o teu sorriso me lembrava dos nossos flutuantes pensamentos, das nossas almas vagando pelos bosques desertos à procura daquilo que mais nos fez falta: a amizade. as folhas balançavam ao vento e sussurravam diante das nossas memórias ali enterradas, uma procura infindável por aquele restinho do que um dia fomos, um gostinho de saudade vinha à tona..
Sunday, October 25, 2009
sunrise
escondem-se as envaidecidas estrelas-anãs, enquanto a magnífica estrela-mor demonstra seus primeiros sinais de lucidez no horizonte, rubro fez-se o céu, vivo como escarlate, podia-se ver os primeiros traços daquilo que nos mantêm de pé. espetáculo único, o qual pudemos presenciar todos os dias, éramos íntimos, tantas manhãs ao teu lado vendo tudo acontecer: as nuvens dando espaço ao astro-rei, que sem falhar punha-se de pé, iluminando nossa existência. infelizmente as alegrias nunca duram para sempre, o simples às vezes se torna complicado, quando na verdade deveríamos voltar a simplicidade de antigamente. quem sabe um dia possamos, juntos, voltar a ver o nascer do sol?
Saturday, October 17, 2009
o diabo engarrafado
aquele brilho verde-esmeralda destacava-se no meio de tantas outras cores opacas e sem vida, o cheiro de ervas tinha um peculiar sabor de pecado. o sangue endiabrado arranhava a garganta daqueles que ousavam bebê-lo. até que o ápice deste satânico ritual de posse fosse atingido, podíamos prová-lo com nossas entranhas, logo à frente, no chão.
Thursday, September 24, 2009
aprendiz de samurai
as vestes sujas e rasgadas retratam um fardo que ele não consegue mais carregar, as gotas de sangue, já cristalizadas em seu rosto, demonstram as lamúrias e os gritos inaudíveis, pesa nos ombros a armadura, os quais fraquejam perante tamanho esforço indigno. a respiração, sôfrega, deixa aparente sua falta de força, seu cansaço. quer desistir, tentou desistir. mas não podia, prometeu a si mesmo que jamais desistiria de seu sonho. empunha sua espada e continua sua caminhada, tendo a certeza de que tanto sacrifício valerá a pena.
Tuesday, September 8, 2009
vulcanismo
eis que o espírito, transformado em lava, jorrou em incandescentes labaredas com destino ao céu. ouviram-se apenas lamúrias e injúrias, as quais cortavam as nuvens em sons estridentes. brilhando no céu desintegro-me em fumaça e medo. a terra treme frente à tamanha calamidade e destruição. ao passar do tempo, tudo retorna ao normal.
como vulcão, adormeço, esperando mais um dia em que eu possa explodir.
como vulcão, adormeço, esperando mais um dia em que eu possa explodir.
Wednesday, August 12, 2009
a platonicidade do amor
Tudo o que eu mais quero é continuar da forma que estamos, poder estar sempre ao seu lado, tendo a certeza de que nada sabes, e de que nada saberás. Saibas que não espero reciprocidade, sei que não a terei, e nem a quero. Desejo apenas que me deixes permanecer junto a ti, dividindo cada sorriso, cada lágrima, cada risada, cada situação difícil, cada superação. Quero apenas tua amizade, teu carinho, ainda que, no íntimo, eu queira mais. Prometo que nunca existirão reclamações de minha parte, já que dividir cada momento contigo é, e sempre será motivo da mais pura e nobre alegria. Mesmo que, no fundo, não saibas de nada, meu amor por ti é suficiente para nós dois, ou melhor, suficiente para milhões de nós. A rejeição seria uma dor grande demais, um risco que eu não quero, e não pretendo correr, prefiro vagar por estes meus pensamentos tão bonitos, onde tudo é perfeito. Estar junto a ti, a qualquer momento que seja, só me faz ter a certeza de que é assim que eu quero permanecer nesta relação, tendo a certeza que te amo ainda que não transpareça nada, sempre lutando contra os sentimentos inebriantes que tomam conta do meu corpo próximo a ti. E, mais uma vez, suplico-te: deixe-me viver enclausurado e alegre nesta platonicidade de paixão.
p.s: não, eu não estou apaixonado (no momento), apenas tive um "revival" dos tempos de paixão platônica esses dias..
p.s: não, eu não estou apaixonado (no momento), apenas tive um "revival" dos tempos de paixão platônica esses dias..
Saturday, August 1, 2009
freedom?
..E de repente aquela vontade, antes insaciável, desapareceu. Saboreou o elixir com tanta avidez, que talvez tenha até perdido a graça. Agora tudo aquilo a que anseara havia se tornado um imenso vazio, embora soubesse não ser a realidade. Restaram algumas gotas no cálice, as dúvidas percolavam sua mente confusa, devia tentar mais uma vez? E se aquela sensação realmente fosse tudo? Seus sonhos quebrariam-se profusamente, tornariam-se apenas mais espinhos jogados ao chão atrapalhando mais uma vez sua caminhada. Cansado de tanto medo, sentou-se no chão e respirou fundo. Acabou-se a era da incerteza, da insegurança. Sorveu as últimas gotas de liberdade, esperando que aquilo o tornasse mais feliz.
E o tornou.
E o tornou.
Friday, April 3, 2009
ainda que tivéssemos feito contato visual
Caminhava por ali como sempre, atravessava mais uma vez aquela ruela transbordada de pessoas, mas era nada mais que um deserto de silêncio para ele, talvez suas esperanças estivessem altas demais, quem sabe? Se ao menos tivesse os sentimentos correspondidos poderia ser uma pessoa melhor, mas não. Passava sempre por ali, os ecos agrupavam-se formando uma sinfonia melancólica que o acompanhava por todo o percurso. O sangue pulsava frio em suas artérias, o vento mais parecia navalhas cortando-lhe a face, nada mais tinha sabor, nada mais tinha cheiro. Eis que, estranhamente, sentiu um cheiro agradável, algo que trouxe vida à sua alma, apressou-se para localizar a fonte de tal odor inebriante. Os olhos, embriagados, procuravam desesperadamente a dona de tal poder. Ao encontrá-la seu coração acelerou, um frio percorreu-lhe a espinha causando o típico calafrio de amor, era amor à primeira vista. Esperançoso, olhava-a com volúpia, tentava a sentir por um simples olhar, mas a recíproca não era verdadeira, como podia a rainha dar bola para um mero plebeu? Ainda que seus olhos tivessem se encontrado, quem sabe a história teria sido diferente? Como sempre a realidade bateu à porta, fê-lo acordar de mais um desgraçado sonho, negando-se a aceitar, buscava acreditar que ela não o olhara por simples desatenção, ou talvez tivesse sido pura timidez. Não havia sido a primeira vez, quem sabe um dia algo realmente acontecesse? E aquela rua que há pouco se tornara colorida e cheia de vida voltou a ser monocromática e melancólica. Quem sabe um dia ela se tornará colorida para sempre? Viver uma doce ilusão nunca é tão ruim.
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