Friday, April 3, 2009

ainda que tivéssemos feito contato visual

Caminhava por ali como sempre, atravessava mais uma vez aquela ruela transbordada de pessoas, mas era nada mais que um deserto de silêncio para ele, talvez suas esperanças estivessem altas demais, quem sabe? Se ao menos tivesse os sentimentos correspondidos poderia ser uma pessoa melhor, mas não. Passava sempre por ali, os ecos agrupavam-se formando uma sinfonia melancólica que o acompanhava por todo o percurso. O sangue pulsava frio em suas artérias, o vento mais parecia navalhas cortando-lhe a face, nada mais tinha sabor, nada mais tinha cheiro. Eis que, estranhamente, sentiu um cheiro agradável, algo que trouxe vida à sua alma, apressou-se para localizar a fonte de tal odor inebriante. Os olhos, embriagados, procuravam desesperadamente a dona de tal poder. Ao encontrá-la seu coração acelerou, um frio percorreu-lhe a espinha causando o típico calafrio de amor, era amor à primeira vista. Esperançoso, olhava-a com volúpia, tentava a sentir por um simples olhar, mas a recíproca não era verdadeira, como podia a rainha dar bola para um mero plebeu? Ainda que seus olhos tivessem se encontrado, quem sabe a história teria sido diferente? Como sempre a realidade bateu à porta, fê-lo acordar de mais um desgraçado sonho, negando-se a aceitar, buscava acreditar que ela não o olhara por simples desatenção, ou talvez tivesse sido pura timidez. Não havia sido a primeira vez, quem sabe um dia algo realmente acontecesse? E aquela rua que há pouco se tornara colorida e cheia de vida voltou a ser monocromática e melancólica. Quem sabe um dia ela se tornará colorida para sempre? Viver uma doce ilusão nunca é tão ruim.