Thursday, November 27, 2008

Aquelas Férias

Mais uma vez se encontrava jogado naquela rua, mas dessa vez sentia-se envolto por uma aura azul, uma névoa que insistia em esquentá-lo, percebia que agora os problemas não pareciam impossíveis, nada parecia inalcançável. Sentia uma força exaurindo do seu interior, mas não estava cansado, pelo contrário, estava melhor do que jamais estivera, uma sensação inexplicável percorria sua espinha, lhe dando arrepios. As pessoas que outrora o encaravam, agora passavam e admiravam a beleza da felicidade, podiam sentí-la e misteriosamente sorriam para o garoto, uma troca mútua de bons sentimentos. Ele, impressionado com aquilo tudo, respirava com força, enchendo-se de prazer. Não lhe faltava mais o ar, não lhe faltava mais nada. Incrível o que alguns dias com pessoas especiais pode fazer a alguém, era isso o que havia lhe faltado antes, a presença de amigos com os quais ele pudesse contar, dividir experiências. Estava bem consigo mesmo, não mais jogado no canto da rua, mas sim acomodado, sentindo o calor penetrar em sua pele e a brisa fresca batendo em seus cabelos e lhe fazendo sorrir, quase como uma rede o embalando para dormir, um momento que ficaria gravado à tinta em suas memórias. O que o fim de ano e o começo de uma nova era não fazem com uma pessoa.

Lembraria-se daquilo tudo algum dia.. “Ah, aquelas férias..”

Thursday, November 6, 2008

Pessoas

Imersas em mentiras, apoiadas em tragédias, abusando das fraquezas elas constroem seus mundinhos. Fantasias trágicas, dramas medievais, incapazes de enxergar além daquilo que querem. Raças, preconceitos, seres humanos patéticos, incapazes de sentir. Num mundo completamente defasado, uma sociedade a ponto de ruir, toda a essência já se foi, só restou a escória, controladora e aproveitadora, sugando os últimos pingos de bondade ainda existentes. Vivemos hoje nas sobras do que um dia já foi chamado de nossa casa, sobrevivemos, lutamos diariamente contra os sugadores da esperança, os pessimistas. Cegos, criticam tudo o que vêem, mas hipocritamente fabricam suas vidinhas miseráveis, moldam-nas para melhor se apresentarem, manipulam. Falta-lhes perspicácia, visão de mundo. E nós, românticos incansáveis com corações esperançosos, fazemos parte daquela minoria que ainda acredita numa saída, praticando boas ações acreditamos cegamente em uma solução, mas estamos de mãos atadas e com vendas, a sociedade não tem mais jeito, a Terra já está fadada ao fracasso, à destruição. Quando as vidinhas fantasiosas ruírem, os poços secarem, a rede de mentiras for tão grande a ponto de envolvê-los e sufocá-los, a Terra estiver a alguns dias de implodir, perceberão o grande erro cometido, que a chance de salvar o planeta ainda existia, mas descartaram se iludindo com mentiras risíveis, manipulações grotescas e uma desonestidade bestial. Quiseram uma vida sem esforços, fácil, e acabaram prejudicando a seus próprios filhos, netos. O peso na consciência será tão grande que eles desejarão não ter nascido, assim teriam contribuído integralmente com a manutenção de nosso planeta. Só nos resta continuar com a esperança, esperando o dia em que estaremos oficialmente acabados, para então podermos falar: “Nós avisamos.”. Corações dilacerados, animais extintos, arrependimentos inevitáveis, faltará o ar, estaremos acabados. Tudo culpa daqueles malditos pessimistas, hipócritas, nos destruíram para que pudessem aproveitar suas vidas fantasiosas e infelizes, para que pudessem usar uma venda com sua cor favorita, viver suas historinhas de conto de fadas.

Não há mais salvação, sentemos e esperemos pelo pior. O futuro nos aguarda.