Mais uma vez se encontrava jogado naquela rua, mas dessa vez sentia-se envolto por uma aura azul, uma névoa que insistia em esquentá-lo, percebia que agora os problemas não pareciam impossíveis, nada parecia inalcançável. Sentia uma força exaurindo do seu interior, mas não estava cansado, pelo contrário, estava melhor do que jamais estivera, uma sensação inexplicável percorria sua espinha, lhe dando arrepios. As pessoas que outrora o encaravam, agora passavam e admiravam a beleza da felicidade, podiam sentí-la e misteriosamente sorriam para o garoto, uma troca mútua de bons sentimentos. Ele, impressionado com aquilo tudo, respirava com força, enchendo-se de prazer. Não lhe faltava mais o ar, não lhe faltava mais nada. Incrível o que alguns dias com pessoas especiais pode fazer a alguém, era isso o que havia lhe faltado antes, a presença de amigos com os quais ele pudesse contar, dividir experiências. Estava bem consigo mesmo, não mais jogado no canto da rua, mas sim acomodado, sentindo o calor penetrar em sua pele e a brisa fresca batendo em seus cabelos e lhe fazendo sorrir, quase como uma rede o embalando para dormir, um momento que ficaria gravado à tinta em suas memórias. O que o fim de ano e o começo de uma nova era não fazem com uma pessoa.
Lembraria-se daquilo tudo algum dia.. “Ah, aquelas férias..”