Friday, October 31, 2008

O Preço da Traição

Encontrava-se novamente em uma situação complicada, mas desta vez era algo GRANDE. Um problema que ia muito além dos já vivenciados por ele, como “apagar” traficantezinhos meia-boca, pressionar clientes. Acompanhado de um amigo, esperavam em uma esquina escura, o cheiro podre vindo dos sacos de lixos somava com os esgotos abertos próximos dali, criando um ambiente completamente hostil para qualquer um que ali quisesse entrar, ou seja, um ótimo lugar para praticar atos ilícitos sem a intromissão de civis. Esperavam por uma reunião urgente convocada há pouco, o homem suava frio, a face, pálida de medo, contorcia-se fazendo caretas demonstrando o asco daquele lugar. O amigo, apreensivo, olhava atentamente ao redor, como se esperasse por uma entrega especial, o coração palpitava forte, estava com um mau pressentimento, mas não era supersticioso e resolveu esperar para ver. Após alguns minutos de espera os dois foram cercados por cerca de 10 homens fortemente armados, a neblina misturada com o mal estar causado pelo cheiro contribuíam para dificultar a visão. “Hmmm, é esse o delator?” - perguntou o homem que aparentava ser o chefe. “Sim” - respondeu o homem. O amigo, agora tremendo de medo, infelizmente confirmara o mau pressentimento. O homem juntou-se à roda, deixando somente o ex-parceiro no meio. Este por sua vez experimentava uma sensação horrível única, algo que nunca havia sentido antes, um medo inexplicável que tomava conta de seu corpo, impossibilitando-o de tentar qualquer coisa, o corpo estava literalmente imobilizado, mas o cérebro trabalhava à pleno vapor, tentando entender o que exatamente havia acontecido, e o porque dele ser o “delator”. “Você tem certeza de que foi ele quem delatou o nosso carregamento de armas?” - perguntou o chefe. “Sim, acho que tenho.” - respondeu o homem, já demonstrando sinais de incerteza. Um silêncio aterrorizador tomou conta do lugar, os homens processavam as informações com cuidado, um momento até irônico, assassinos frios com receio de matar um homem que talvez fosse “inocente”. “Tenho provas de que foi ele” - o homem falou relutando. As mostrou ao chefe, que ficou convencido o bastante, e ordenou que executassem o acusado. Ainda imóvel e incapaz de produzir um único sinal sonoro, o amigo estava completamente desamparado, sem chão, já que o delator na verdade havia sido o seu ex-parceiro, mas haviam feito um acordo prometendo sigilo, sentiu então um remorso, uma emoção mais aterrorizante ainda, foi traído por alguém que achou que pudesse confiar, lutando contra o próprio corpo, conseguiu pronunciar suas últimas palavras: “Te vejo no inferno, traidor.”. BANG, o corpo, perfurado na cabeça, encontrava-se estirado no chão, os capangas deixaram o lugar e o homem permaneceu, observando provavelmente o maior erro que já cometera em sua vida, seu amigo e parceiro, ali caído no chão, morto, tudo por que havia armado pra cima dele, jogado um jogo sujo demais até para os criminosos, a pouca honra que ainda lhe restava foi arrancada para fora de sua alma. As últimas palavras ecoavam em sua cabeça, viu tudo rodar, o cheiro insuportável do lugar somado com o cheiro de sangue e cérebro no chão formou uma mistura-bomba que o forçava a vomitar. Sentiu-se chicoteado, claramente sua própria consciência rebelava-se diante daquela situação desonrosa, foi tomado por um instinto selvagem e subiu num prédio próximo, nos breves momentos de lucidez que tivera até o topo, percebera o verdadeiro significado da palavra insanidade, sua mente sóbria estava presa por alguma força oculta de seu subconsciente, estava realmente de mãos atadas. Caminhou até a borda do terraço, tinha medo. Seus esforços eram inúteis, sabia que havia algo errado consigo mesmo, que aquele era um fardo que não conseguiria e não queria carregar. Riu nervosamente, e as palavras “Te vejo no inferno, traidor.” ecoaram por sua cabeça uma última vez, tinha consciência agora de que não haveria outra vez. Pulou.

Wednesday, October 29, 2008

Aniversário

O que tem de tão especial num aniversário? É realmente uma data comemorativa? Há quem acredite que não existem motivos para se comemorar, já que o aniversário nada mais é do que um passo em direção a morte, 1 ano completo a menos de vida, tem até aqueles que acham que não devemos comemorar nada, apenas dedicar a vida a Ele, cada um com suas crenças.. Eu? Digamos que eu faço parte daqueles que acham que é um motivo para se comemorar, não sei explicar-lhes a razão, só acho a coisa certa a se fazer, já que além das festas e saudações, vêm os presentes.
Ah, os presentes.

Monday, October 27, 2008

Menino-Bolha

Sigo o mundo rodando, rodando e rodando.
Observando o girar da roda, o balançar do balanço, o soprar do vento, o viver da vida.
A criança perdida, batendo à porta aos berros, torcendo para que jamais seja esquecida.
Seria eu um menino-bolha, ou uma bolha-menino?
Seriam essas batidas que escuto o chamar do tempo?
Seria isso um chamado de ajuda? Um pedido de resgate?
Enfim, de que importa?
Contanto que esbanje alegria, que o sorriso nunca cesse, que a alma nunca enfraqueça.
Contanto que o tempo passe, que cresçamos preservando aquele valor interior.
Contanto que as boas amizades durem para todo o sempre, e se fortaleçam todos os dias.
Contanto que os bons amigos, mesmo distantes, permaneçam para sempre como bons amigos.
Contanto que o menino cresça, mas a criança permaneça a mesma.
Contanto que a alegria contagie a todos.
Contanto que o palhaço nunca perca a graça e o picadeiro jamais feche.
Preserve a essência infantil, e jamais a perca.
Afinal, como exístiriamos sem aquela alegria imprescindível, inexplicável e infindável?

Sunday, October 26, 2008

Senhor do Tempo

Acordou, como de costume, às sete horas da manhã, levou as mãos ao rosto e sentiu algo diferente. “Desde quando tenho tantas rugas?” - perguntou-se. Levantou-se em direção ao banheiro, cambaleando sonolentamente, ainda não havia aberto os olhos. Sentia-se cansado, os ombros pesavam mais do que o normal. Adentrou o banheiro, ligou a torneira, encheu as mãos de água e lavou o rosto. Abriu os olhos e se olhou no espelho, “O que aconteceu comigo?” - foram as primeiras palavras saídas de sua boca. O cabelo, branco, já não era mais visto com abundância, a pele, enrugada, não demonstravam seus 17 anos. Lavou o rosto novamente, como quem não quer acreditar no que está vendo, mas nada mudou. Continuava ali, cheio de rugas, velho. Procurou saber a data, percebeu que tudo estava diferente, atualizado. Encontrou um celular e o encarou, não era parecido com qualquer coisa que já havia visto, ligou e foi atrás da data, ficou boquiaberto.
“29 DE OUTUBRO DE 2042?!” - o grito ecoou por sua casa e dentro de sua cabeça. Seu cérebro pulsava procurando entender tudo aquilo, antes de dormir tinha recém completado 17 anos, e algumas horas depois acorda com 51, “Como pudera o tempo passar tão rápido?” - pensou. Ao menos era seu aniversário, quem sabe não teria a chance de esclarecer aquela história com os amigos. Tomou um banho, com a cabeça ainda latejando, sentou-se no sofá ao lado do telefone, e esperou. “51 anos, sem mulher, sem filhos, o que diabos aconteceu de errado em minha vida?” - questionava-se. Esperou a tarde inteira, nenhuma ligação, nenhuma visita, nenhuma mensagem, nada. Teria ele se tornado um ermitão? Seu cérebro, já cansado, demonstrava sinais de fraqueza, e seu corpo foi tomado por uma sonolência incompreensível, dormiu pensando se aquilo tudo não era um pesadelo. Acordou, suas costas doíam, por ter dormido no sofá, ou quem sabe fosse apenas a idade. Não era um sonho, nem um pesadelo. “Como diabos 34 anos passaram em algumas horas de sono?” - questionou-se, irritado. E seus planos? O que teria acontecido com seus planos? Havia planejado sua vida toda, passo a passo, não conseguia enxergar seu erro. Sua mente lutava contra a verdade, procurando uma resposta para tudo aquilo. Num momento de luz, realizou o que poderia ter sido seu erro. “O planejar.” - afirmou. Não queria aceitar, por que teria sido um erro planejar sua vida? Nada poderia dar errado, pois havia planejado tudo. Sua cabeça, inundada de memórias, pesava. Percebeu que o erro não foi só fazer planos, mas sim automatizar sua vida, não era um robô, era um humano, de carne e osso, e emoções. Realizou que não fora feito para viver uma vida automatizada, esse foi seu erro. Exagerou no planejamento, e foi isso que ganhou: uma vida sem amigos, sem família, sem lembranças, uma vida não vivida. “Se eu pudesse ter tido esta epifania antes, se eu tivesse uma segunda chance…” - pensou. Mas não tinha. Aquela era a vida que ele mesmo preparara. Não podia mais mudar o que passara, resolveu então buscar o que ainda podia fazer, tentar reerguer sua vida, ser feliz. Sabia que nada traria de volta os 34 anos perdidos, olhou na parede um calendário, com metas e planos, rasgou-o. Vida nova, livre.

Porque o tempo não volta, nunca.

Saturday, October 25, 2008

Verdades Indubitáveis

Sozinho, talvez até abandonado, jazia o corpo de um menino na esquina, parecia morto, ou talvez apenas fingisse estar. O rosto, pálido, era a representação de um vazio. Não expressava dor, tampouco alegria, era simplesmente uma face, vazia em si e perante o que o rodeava. O sangue pulsava, não estava morto. Sôfrego, respirava fundo tentando tragar o mundo, encher-se de novos ares, mas a cada minuto que passava sentia-se mais e mais sufocado. Achou que talvez se o mundo inteiro coubesse dentro dele, sentiria-se mais completo, talvez aquela dor e sensação de vazio fossem embora. Murmurava para tentar afastar tudo aquilo, abstrair-se do mundo, "Já estou cheio de me sentir vazio, meu corpo é quente, estou sentindo frio", sentia na pele a profundidade daquela letra, ou talvez apenas queresse sentir. Jazia lá há horas, tudo o que conseguira até então não passavam de alguns trocados e olhares atravessados. Ninguém o entendia. Não era pobre, tampouco maltrapilho, simplesmente precisava de respostas. Por mais que negasse, exalava o medo do futuro, do que é novo, as dúvidas pululavam em sua cabeça provocando uma dor aguda, o cérebro, fritando, procurava soluções. Estava no auge dos seus 17 anos, fase de transição da vida. Havia curtido o ano inteiro, sem dar bola para nada, mas durante o tempo em que esteve ali, sozinho, percebeu que a vida não era só festa, que as crises existenciais, por mais mal-vistas que sejam, existem. Anos de curtição, "Teriam sido em vão?" - perguntou-se. Resolveu então, que encararia o futuro, não mais o temeria. Começou a aceitar o fato de que estava prestes a se tornar um adulto, e como tal teria responsabilidades, mas não queria crescer, recusava-se. Queria ser para sempre uma criança. Apenas observava as pessoas passando, quem sabe o segredo do futuro não se encontrava logo ali? Nas pessoas e coisas comuns da vida, nos passantes. A respiração diminuía, já não se sentia mais tão vazio, percebeu que aquilo que sentira há pouco, na verdade devia-se ao fato de fugir do que lhe esperava, do destino. Com o cessar daquele turbilhão de novas emoções e pensamentos, levantou-se e se recompôs. Agora com um sorriso estampado no rosto, decidiu que não mais iria se preocupar buscando as verdades indubitáveis do mundo, os segredos para uma vida feliz, pois descobrira algo mais valioso: tudo tem seu tempo.
Viva, pense, transcenda, sinta, evolua e o mais importante: aprenda.

Friday, October 24, 2008

Maybe we're all wrong.

Have you ever woken up during a bad storm and started thinking about the whole world?
When every lightning seems to be the last one, and you just can't see 'cause everything is blurry..
Closing your eyes you try to feel it, but the body just doesn't answer the brain, and your mind vagues around trying to focus on a memory, but it just seems impossible.
Then you take a deep breath and start organizing your thoughts, realizing everything have been so wrong lately.
What's the problem with all this people around the world? You ask yourself.
Maybe there's not any problem, maybe everything is right, maybe those lightnings probably were your final round.
Well, who cares?
Maybe we're all wrong, then why should we waste our time looking for irrefutable answers?

- Só um teste, um texto em inglês sobre um assunto inútil..