Thursday, November 6, 2008

Pessoas

Imersas em mentiras, apoiadas em tragédias, abusando das fraquezas elas constroem seus mundinhos. Fantasias trágicas, dramas medievais, incapazes de enxergar além daquilo que querem. Raças, preconceitos, seres humanos patéticos, incapazes de sentir. Num mundo completamente defasado, uma sociedade a ponto de ruir, toda a essência já se foi, só restou a escória, controladora e aproveitadora, sugando os últimos pingos de bondade ainda existentes. Vivemos hoje nas sobras do que um dia já foi chamado de nossa casa, sobrevivemos, lutamos diariamente contra os sugadores da esperança, os pessimistas. Cegos, criticam tudo o que vêem, mas hipocritamente fabricam suas vidinhas miseráveis, moldam-nas para melhor se apresentarem, manipulam. Falta-lhes perspicácia, visão de mundo. E nós, românticos incansáveis com corações esperançosos, fazemos parte daquela minoria que ainda acredita numa saída, praticando boas ações acreditamos cegamente em uma solução, mas estamos de mãos atadas e com vendas, a sociedade não tem mais jeito, a Terra já está fadada ao fracasso, à destruição. Quando as vidinhas fantasiosas ruírem, os poços secarem, a rede de mentiras for tão grande a ponto de envolvê-los e sufocá-los, a Terra estiver a alguns dias de implodir, perceberão o grande erro cometido, que a chance de salvar o planeta ainda existia, mas descartaram se iludindo com mentiras risíveis, manipulações grotescas e uma desonestidade bestial. Quiseram uma vida sem esforços, fácil, e acabaram prejudicando a seus próprios filhos, netos. O peso na consciência será tão grande que eles desejarão não ter nascido, assim teriam contribuído integralmente com a manutenção de nosso planeta. Só nos resta continuar com a esperança, esperando o dia em que estaremos oficialmente acabados, para então podermos falar: “Nós avisamos.”. Corações dilacerados, animais extintos, arrependimentos inevitáveis, faltará o ar, estaremos acabados. Tudo culpa daqueles malditos pessimistas, hipócritas, nos destruíram para que pudessem aproveitar suas vidas fantasiosas e infelizes, para que pudessem usar uma venda com sua cor favorita, viver suas historinhas de conto de fadas.

Não há mais salvação, sentemos e esperemos pelo pior. O futuro nos aguarda.

4 comments:

Anonymous said...

Escreves muito, mas Deus do céu, que trágico. Não vou te contrariar, simplesmente prefiro não pensar nisso hehehe
Beijo Henrique

Anonymous said...

Ps: maybe you are wrong.

henrique said...

I hope so. ;x

Isadora Cecatto said...

I'll always think they are wrong.

"E nós, românticos incansáveis com corações esperançosos, fazemos parte daquela minoria que ainda acredita numa saída, praticando boas ações acreditamos cegamente em uma solução, mas estamos de mãos atadas e com vendas, a sociedade não tem mais jeito, a Terra já está fadada ao fracasso, à destruição."

Por muito tempo martelei tudo isso, me senti esgotada e cansada pela consciência excessiva com que levava meus dias, por conta desse romantismo e dessa crença na revolução. Por muito tempo eu quis mudar. Mas temo ter cansado no meio do caminho diante de tanta gente descrente, tanta gente hipócrita, pessimista, egocêntrica.

Quando eu vejo alguém falar de toda essa verdade que eu conheço tão bem, no entanto, dá vontade de recomeçar. Não a chorar vendo o Jornal Nacional ou fazer novamente comunidades de protesto contra a corrupção num Orkut da vida, mas a agir mesmo, no dia-a-dia, seja no sorriso matinal, no olhar de esperança de fim de noite ou em grandes ações.

Estamos errados? Talvez. Mas enquanto houver ilhas prestes a submergir pela destruição que a minha raça causou, enquanto economia boa for sinônimo de desigualdade no meu país, até o momento em que alguém morrer de fome do outro lado do mundo e eu ver gente pensando, cega, que isso nada tem a ver consigo, digo que errados estão eles. Eles que sorriem sem culpa e encaram violência com normalidade. Aqueles que colocam dinheiro acima dos animais e do próprio oxigênio, da própria sobrevivência.

Ok, maybe we are wrong. All of us. And I really hope we are.