Saturday, October 25, 2008

Verdades Indubitáveis

Sozinho, talvez até abandonado, jazia o corpo de um menino na esquina, parecia morto, ou talvez apenas fingisse estar. O rosto, pálido, era a representação de um vazio. Não expressava dor, tampouco alegria, era simplesmente uma face, vazia em si e perante o que o rodeava. O sangue pulsava, não estava morto. Sôfrego, respirava fundo tentando tragar o mundo, encher-se de novos ares, mas a cada minuto que passava sentia-se mais e mais sufocado. Achou que talvez se o mundo inteiro coubesse dentro dele, sentiria-se mais completo, talvez aquela dor e sensação de vazio fossem embora. Murmurava para tentar afastar tudo aquilo, abstrair-se do mundo, "Já estou cheio de me sentir vazio, meu corpo é quente, estou sentindo frio", sentia na pele a profundidade daquela letra, ou talvez apenas queresse sentir. Jazia lá há horas, tudo o que conseguira até então não passavam de alguns trocados e olhares atravessados. Ninguém o entendia. Não era pobre, tampouco maltrapilho, simplesmente precisava de respostas. Por mais que negasse, exalava o medo do futuro, do que é novo, as dúvidas pululavam em sua cabeça provocando uma dor aguda, o cérebro, fritando, procurava soluções. Estava no auge dos seus 17 anos, fase de transição da vida. Havia curtido o ano inteiro, sem dar bola para nada, mas durante o tempo em que esteve ali, sozinho, percebeu que a vida não era só festa, que as crises existenciais, por mais mal-vistas que sejam, existem. Anos de curtição, "Teriam sido em vão?" - perguntou-se. Resolveu então, que encararia o futuro, não mais o temeria. Começou a aceitar o fato de que estava prestes a se tornar um adulto, e como tal teria responsabilidades, mas não queria crescer, recusava-se. Queria ser para sempre uma criança. Apenas observava as pessoas passando, quem sabe o segredo do futuro não se encontrava logo ali? Nas pessoas e coisas comuns da vida, nos passantes. A respiração diminuía, já não se sentia mais tão vazio, percebeu que aquilo que sentira há pouco, na verdade devia-se ao fato de fugir do que lhe esperava, do destino. Com o cessar daquele turbilhão de novas emoções e pensamentos, levantou-se e se recompôs. Agora com um sorriso estampado no rosto, decidiu que não mais iria se preocupar buscando as verdades indubitáveis do mundo, os segredos para uma vida feliz, pois descobrira algo mais valioso: tudo tem seu tempo.
Viva, pense, transcenda, sinta, evolua e o mais importante: aprenda.

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